Drummond Dermato Dermatologista clinica completa no Rio de Janeiro
Helena sentou-se na minha frente, inclinou o rosto para a luz e, com as pontas dos dedos, puxou levemente a pele das têmporas em direção às orelhas. “Eu só não quero parecer uma pessoa que levou um susto permanente”, disse ela, com uma ponta de ansiedade na voz. Esse diálogo, que se repete quase diariamente no consultório, resume a grande virada de chave da estética moderna. Cruzamos a fronteira do “preenchimento por preenchimento” e entramos, finalmente, na era da regeneração. Houve um tempo, não muito distante, em que o sucesso de um procedimento era medido pelo volume. Se havia uma ruga, colocava-se material dentro. Se o rosto caía, inflava-se a maçã do rosto. O resultado? Uma geração de faces padronizadas, com o temido pillow face (rosto de travesseiro), onde a individualidade se perdia em meio a excessos de ácido hialurônico.
Hoje, o luxo não é mais exibir um procedimento bem-feito, mas sim ostentar uma pele que ninguém consegue dizer exatamente o que foi feito nela, apenas que ela irradia saúde. A inteligência por trás do estímulo Quando conversamos sobre o fim do “rosto esticado”, estamos falando de tecnologias que ensinam o corpo a trabalhar a seu favor. O Ultraformer MPT é o protagonista dessa transição. Diferente das cirurgias que apenas cortam o excesso de pele, o ultrassom microfocado atua nas camadas profundas, chegando até o SMAS — a membrana que reveste o músculo e que os cirurgiões manipulam no lifting tradicional. A mágica acontece através de pontos de coagulação térmica. O aparelho envia calor para áreas específicas, causando uma retração imediata e, mais importante, disparando um sinal de alerta para os fibroblastos: “Ei, precisamos de colágeno novo aqui”. O resultado não aparece no dia seguinte; ele amadurece. É um rejuvenescimento que respeita a cronologia do corpo, devolvendo a firmeza do contorno mandibular e levantando o olhar sem paralisar as expressões.
O novo papel dos injetáveis O Botox e o preenchimento facial não morreram, mas foram ressignificados. Se antes o objetivo da toxina botulínica era congelar a testa, hoje buscamos o baby botox ou a técnica de pontos estratégicos que apenas relaxam a musculatura tensa, preservando o brilho do olhar e o movimento das sobrancelhas. O foco mudou para a qualidade da tela, e não apenas para o ajuste da moldura: Bioestimuladores de Colágeno: Substâncias como o ácido polilático agem como um adubo para a pele. Eles não dão volume imediato, mas recuperam a espessura da derme que perdemos com o tempo. Gerenciamento da Flacidez: Tratamos a face como uma estrutura tridimensional. Às vezes, para melhorar o “bigode chinês”, não preenchemos o sulco, mas sim reforçamos a sustentação lateral do rosto. Harmonia Corporal: Essa filosofia de naturalidade transbordou para o corpo. Tratamos a flacidez abdominal ou das coxas com a mesma delicadeza, integrando protocolos que unem tecnologia e cuidados manuais.